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João Gordo conta sua história em livro e define-se como pessimista

dezembro 21st 2016  ·   0 Comentários

Apresentador diz que só volta à TV aberta por algo ‘muito bom e bem pago’

Rio – João Gordo sobreviveu às drogas, a ataques violentíssimos de gangues em São Paulo e até a uma surra do pai, policial militar, que quase tirou sua vida. O apresentador de TV e vocalista do Ratos de Porão repassa sua história com detalhes sórdidos em ‘Viva La Vida Tosca’ (Ed. Darkside, 320 págs, R$ 59,90), escrito com o jornalista André Barcinski e, mesmo com o sucesso (e a sobrevivência!), se diz um pessimista.

“No ‘Brasil’ (disco do Ratos de Porão de 1989) eu já falava que ‘dizem que o Brasil vai melhorar, mas eu acho que não vai’. Achei que fosse melhorar com o Lula na presidência, mas o cara coloca o Gilberto Gil como ministro, uma pelegada f… nos cargos, faz um monte de acordos… Estamos em 2016 e esses moleques fascistóides de 16 anos vão virar um bando de homofóbicos”, lamenta João, que se reconciliou com o pai, já falecido, a tempo — mas confessa que foi dolorido lembrar de sua infância. “Não foi engraçado, fiquei até um pouco deprimido”, conta ele, que prepara também um livro com as 120 letras que fez para o Ratos, para breve.

O livro detalha histórias de turnês do grupo e da trajetória de João na TV — como o período em que esteve na Rede Record, no ‘Legendários’, do qual saiu por discordar da linha do programa (no livro, reclama de um diretor que “só manjava de close de bunda e de colocar os piores artistas para cantar”).

“Para eu voltar para a TV aberta, tem que ser algo muito bom e muito bem pago”, conta João, hoje à frente do ‘Eletrogordo’, no Canal Brasil, e do programa de receitas vegano ‘Panelaço’, no YouTube. No rádio, divide o ‘Tiki Nervioso’ com o amigo Marinho (baixista do grupo Pavilhão 9), toda terça, às 23h59, na rádio paulistana 89 FM (pode ser ouvido em www.radiorock.com.br). Na seleção musical, nada de punk e heavy metal: rola música latina, jovem guarda, rock dos anos 50 e 60, orquestras, temas de desenhos animados clássicos e jingles antigos.

“Tenho uma enorme memória fotográfica para coisas antigas. Tinha cinco anos na época do programa ‘Jovem Guarda’, e me lembro de tudo”, anima-se.

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